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12 de Setembro - Caminhos de Santiago


4º Etapa: Pontevedra - Santiago de Compostela

- Chegamos.

Se pensarmos nas dificuldades que passamos, nas subidas intermináveis, nas descidas traiçoeiras, no suor a escorrer pela cara e pelas costas, se pensarmos no gemer dos músculos que forçamos a trabalhar, poderíamos dizer: - Finalmente! Chegamos!

No entanto, com a lembrança dos cenários que se nos deparavam, do atravessar pontes romanas e medievais, do cruzar florestas de carvalhos centenários, onde a sombra e o fresco nos envolviam, quando nos lembramos dos cheiros a maresia e a terra molhada, quando nos lembramos do som dos pneus a avançar no caminho de terra, acompanhado pelo murmurar da água dos ribeiros, quando nos lembramos som do coração a bater acompanhado pelo canto dos pássaros, poderíamos dizer: Já chegamos?

Mas a verdade é que simplesmente: Chegamos. E neste chegar somos assaltados pelas memórias do primeiro instante, do momento em que nos propusemos a ir: - É tão longe. - Será que vou? - Será que consigo?

- Vou uma vez para ver como é.

- A primeira etapa consegui, vou também à segunda.

Etapa a etapa fomo-nos aproximando desta chegada. E agora, chegamos.

A quarta etapa dos caminhos de Santiago, são como as grandes histórias, contadas em vários cenários com acontecimentos a decorrer em paralelo. Do aeroporto saíram vinte e oito pessoas, que compunham dois grupos com interesses diferentes. Uns concentravam-se para percorrer em bicicleta a distancia que separa Pontevedra de Santiago de Compostela. Os outros descontraíam-se porque em Santiago tinham à sua espera um dia de passeio que incluía uma visita guiada ao centro da cidade e claro à catedral.

Depois de todas as tarefas logísticas e do transporte até Pontevedra, todos saíram da camioneta a desentorpecer as pernas e a preparar o palato para o pequeno-almoço. E enquanto um grupo se entretinha na cavaqueira o outro dedicou-se à troca de roupa e à verificação das máquinas.

No fim uns e outros deixaram Pontevedra, os ciclistas de bicicleta com palavras de incentivo dos outros colegas e os restantes com curiosidade sobre o que Santiago teria para revelar.

Os primeiros quilómetros de bicicleta foram fáceis, os caminhos de terra planos, que atravessavam campos de cultivo, que neste Outono que quer chegar, nos presenteavam com os aromas das uvas quase maduras e das figueiras que saturavam o ar com o seu perfume adocicado. Volta e meia tínhamos de vencer uma subida, algumas obrigavam-nos a levar a bicicleta pela mão, mas logo a seguir éramos compensados com as descidas, algumas delas abruptas e cobertas de gravilha que tinham de ser vencidas com todos os sentido em alerta.



Á medida que a manhã passava a temperatura aumentava, rapidamente passamos Caldas de Reis, conhecida pelas suas fontes de água quente. E o caminho seguia.

Entretanto o outro grupo chegou a Santiago e começou a visita guiada, foi-lhes explicado a origem da cidade recuando a tempos onde Mouros, Reis e Bispos ditavam as regras e gladiavam-se pelo poder. Foi explicado o simbolismo das gárgulas presentes em alguns edifícios, o significado da portas e figuras. Foi também apresentada a catedral com toda a sua opulência e a sua mística.



A quilómetros de distancia os ciclistas esforçavam-se para vencer a distancia, o esforço começava a sentir-se e as subidas pareciam cada vez mais difíceis. Por muitas vezes cruzamos com caminheiros que como nós estavam no Caminho, mas com uma perspectiva diferente, enquanto nós pensávamos em troços de sessenta quilómetros eles pensavam em troços de vinte e enquanto para nós a distancia entre duas cidades era uma parte de uma etapa, para eles era o objectivo de um dia. Mas também encontramos ciclistas, encontramos dois portugueses já reformados que vinham de Viseu, com as bicicletas carregadas com a tenda, o saco cama, o fogão… e estavam a planear chegar a Santiago no dia seguinte. Nós muito mais leves desejamos boa viagem e continuamos. Tínhamos passado Padron, cidade conhecida pelos seus pimentos e como terra onde a embarcação que transportava o corpo de Santiago desde a costa de África aportou para o transportar por terra. Ainda nos faltavam vinte e um quilómetros.

Em Santiago os colegas terminaram a visita e dedicaram-se a outras explorações: - Explorações gastronómicas.

No caminho os ciclistas esforçavam-se para controlar o esforço para poder chegar, mas a etapa não era fácil e a temperatura estava a fazer mossa.

A três quilómetros do fim, no alto do Agro dos Monteiros, tivemos uma panorâmica da cidade de Santiago, de onde podíamos ver as torres da catedral. A partir daqui tivemos uma descida em gincana e uma subida demolidora que obrigou a desmontar de novo e a arrastar a bicicleta pela encosta acima. Quando entramos na praça em frente à catedral finalmente tínhamos finalmente chegado. Objectivos atingidos, fotografias tiradas, todos dedicamos a atenção a confortar o estômago que já protestava.



Pontevedra - Santiago: 64Km, 5h03



Até à próxima.



Clube Ana, 2009